COLUNA - O Rugido
26 Mar 2010 - O Carnaval que eu ví

Carnaval é festa móvel. Muda a data todo ano, mudam as modas, movem-se foliões, trios, blocos e até Circuitos. Carnaval é movimento.
Este ano, vi o Carnaval de uma perspectiva diferente. De cima do trio, cantando (coisa inédita pra mim), pude ver que em plena sexta-feira, com a Barra-Ondina lotada e um monte de gente seguindo o nosso trio independente, não houve uma briga sequer enquanto a gente passava.

 Isso se repetiu no domingo, quando visitei o Camarote do Reino e na terça, quando saí às 2h tocando no último trio do desfile oficial. Pra mim essa é uma tendência que vêm se confirmando, a de uma festa mais pacífica.

Outra tendência incontestável é a da volta das elites aos “clubes”. Sim, o que são os modernos camarotes que não “clubes” para quem não quer se arriscar na avenida e pode pagar um tanto por isso? Os blocos já segregam com cordas e cordeiros, eles próprios segregados, maltrapilhos, maltratados, e agora temos cada vez mais camarotes, de onde quem pode pagar assiste a tudo lá de cima...

No contra-ataque, vi a Secretaria de Cultura colocar à disposição da população um número legal de artistas “independentes” na rua. Foi ótimo ver de volta Moraes, Pepeu, Luiz, Ademar, Virgílio, Sarajane, Book Jones (este último comigo e Márcia Short no trio Axé Anos 80), Dionorina e seus parceiros de reggae, entre outras tantas atrações que enriqueceram demais a festa.

Vi muita gente chamando a folia de 2010 de “Carnaval da Diversidade”, com razão. Espero que o nosso Carnaval seja cada vez mais “diversificado”, pois a Axé Music “versão industrial” está se repetindo cada vez mais.

Vi também o Carnaval do Circuito Tradicional em processo de falência. O que ainda está levando força, grandeza, beleza e nobreza às ruas do centro da cidade é o desfile dos blocos de samba na quinta-feira  e os blocos afros e afoxés, que são grande parte da alma da nossa música.

No mais, vi nossas estrelas arrasando como sempre, cada vez mais profissionais e sustentando a condição de Salvador como um dos três maiores pólos da música do país, talvez ainda o mais criativo e inovador, mas isso é outra discussão. Vi nascer mais uma estrela da Bahia para o Brasil, o cantor Léo, do Parangolé, de quem já sou fã há alguns anos. Espero que ele e sua equipe consigam administrar com sabedoria o momento para que este sucesso se estenda muito mais.

Vi o novo pagode baiano firmar-se definitivamente como o nosso segmento musical mais efervescente e criativo, apesar das grosserias de algumas letras. E por falar em letras, não vi nada demais na letra do “Lobo Mau”. A música é muito divertida, deliciosa. Adorei.

Esse foi, resumindo em poucas linhas, o Carnaval que eu vi.

Camarote Axezeiro




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