
O Portal Axezeiro.com conversou com este baiano de Santo Amaro, cantor, compositor e produtor musical, irmão de Caetano Velloso e Maria Bethânia. Estamos falando de J. Velloso, um filho ilustre da terra que leva o nome Bahia para o mundo!
Confira essa interessante entrevista, na íntegra:
Portal Axezeiro.com: O J. Velloso compositor se inspira em qual intérprete para escrever suas músicas?
J. Vellloso: Não, sempre procuro assuntos que me tocam e às vezes dou sorte de ser gravado por algum intérprete, mas não posso negar que Bethânia me estimula muito, ela é uma artista 24hs e muitas das nossas conversas viraram música.
Portal Axezeiro.com: O fato de você ter nascido numa família com raíz fortissima para música, favoreceu e muito para que sua carreira tivesse ascensão . Mas como você encara as críticas do público em relação a isso?
J. Velloso:Eu sei que tenho trabalhado muito com a escritora e produtora Luzia Moraes, e sei que isso é o que tem levado a essa projeção como nunca tive, o parentesco com Bethânia e Caetano pode criar uma certa curiosidade, que acho bom, e gosto de ser relacionado a eles, mas diretamente a mim, as críticas em relação ao meu pedigree, nunca me incomodaram, sabemos que eles influenciaram e continuam influenciando as pessoas que gostam de música brasileira e comigo não tinha de ser diferente, mas sou baiano de Sto. Amaro e isso já me dá uma responsabilidade grande e a “régua e compasso” também, mas quem me conhece e conhece o meu trabalho sabe que o que eu faço é muito particular.
Portal Axezeiro.com: A bahia é a terra de todos os ritmos, porém o axé predomina. Então, quais são as principais dificuldades de um sambista na terra do Axé?
J. Velloso: Bem, eu não sou sambista, adoraria ser, mas acredito que Roque Ferreira, que é sambista, saiba responder melhor. Lógico que a Bahia soube fazer com seus artistas populares e o povo daqui essa música forte e contagiante, e como ela tem dado muito lucro os empresários e os meios de comunicação se organizaram de forma única no Brasil, e dessa forma alguns trabalhos, que fogem a essa característica tão evidente, têm mais dificuldades de serem vistos, mas espaços como esse aqui tendem a democratizar mais essa possibilidade de exposição de outros trabalhos. Mas quando, por exemplo, o movimento tropicalista aconteceu existia uma geração que inconscientemente já era tropicalista e não sabia, e que abraçou a idéia naquela época. Como Caetano disse a Axé Music é filha (ou neta) do Tropicalismo. Mas o que eu faço, e outros artistas também, tem mercado, pois existe um público grande que gosta de outros tipos de música e isso faz dar mais sentido a profissionalização de outros seguimentos musicais aqui mesmo na Bahia. A Jam do MAM é uma prova disso, a quantidade de shows que tenho feito também, o sucesso de Thati é indiscutível, o público grande de Márcio Melo é outra comprovação. Acredito que a Bahia pode lançar outro acontecimento musical, talvez com mais escrúpulos diante dos jogos comerciais, e por isso mais sustentado pelas ambições artísticas, onde o dinheiro valha menos que o desejo de ter o reconhecimento artístico.
Portal Axezeiro.com: O que o J. Velloso produtor busca em seus projetos?
J. Velloso: Busco mostrar que existe esse outro tipo de música, os projetos que fiz sempre vieram abraçados com esse desejo. E passei a cantar pra diretamente fazer isso, pra ficar de cara com a dificuldade e o prazer.
Portal Axezeiro.com:A força dos órixas, o cheiro da terra, o frio da água do mar, o calor da Bahia são sentidos em suas melodias. Qual sua ligação com o candomblé?
J. Velloso:Tenho a felicidade de ser Filho do Gantois, lugar sagrado que ajuda a iluminar o coração da Bahia, e sei que o candomblé nos ensina de forma religiosa a respeitar o meio ambiente, a vida, o próximo, as diferenças, etc... e isso me interessa e me traz esperança. No meu primeiro disco eu fazia uma referência mais clara sobre isso, nesse segundo menos e acredito que o tempo vai fazendo isso, pois não acho necessário ficar falando de nossa fé o tempo todo, sou filho da vida e ela não é fácil e tenho a felicidade de respeitar ela através da existência dos orixás.
Portal Axezeiro.com: Você está agora com o show de seu mais novo cd gravado pelo selo Biscoito Fino, Como está a repercussão?
J. Velloso: O CD J. Velloso e Os Cavaleiros de Jorge foi gravado aqui na Bahia no estúdio do grande músico e professor Alex Mesquita, e quando estava perto de finalizar mostrei a Bethânia e ela adorou e me convidou pra sair pelo selo Quitanda/Biscoito Fino, o que foi um grande presente e uma grande surpresa pra mim. Agora estamos lançando ele de forma comemorativa em vários lugares. Fora da Bahia já lançamos no Rio de Janeiro, Santa Catarina e Sergipe, e estamos nos organizando pra continuar nossa caminhada.
Portal Axezeiro.com: Qual cantor tranquiliza J. Velloso pela simpatia, entonação, profissionalismo e qual amedronta pelo desrespeito ao ofício?
J. Velloso:João Gilberto me tranquiliza mesmo, por todos os motivos bons que a música possa carregar, ele aparentemente simples é o mais sofisticado, ele não precisa se vestir de artista, ele é a música da forma mais precisa, e depois de falar de quem é tão respeitoso com a música eu não quero nem pensar de quem usa ela só como exibição e ambições financeiras.
Portal Axezeiro.com: Quem você almeja que um dia cante e grave uma composição sua?
J.Velloso: Adoraria ouvir uma música minha na voz de Nana Caymmi
Portal Axezeiro.com: Quais são os próximos projetos ?
J. Velloso:Continuar lançando nosso “J. Velloso e Os Cavaleiros de Jorge” e terminar o projeto já iniciado com Clifton Davis (grande artista americano) e um trabalho que estou fazendo com Geereba com as valsas inéditas de Luiz Gonzaga, todos esse projetos com minha guerreira Luzia Moraes .
Portal Axezeiro.com: Deixe uma mensagem para os axezeiros de plantão.
J. Velloso: Um abraço forte de um sonhador, e convidar todos vocês para juntos a gente provar que a Bahia é mais diversa, pois sei que isso vai fortalecer todas as formas de se fazer música em nosso estado. Quem quiser saber mais sobre nós é só acessar www.jvelloso.com. Outro abraço de mais um filho do Axé.
Por Uran Rodrigues
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09/02/2012 10:29:51