
Uma mistura de baiano com carioca, assim podemos definir o entrevistado da vez: Carlos Barros, cantor, compositor, pesquisador, entre outras facetas, é um baiano apaixonado pelo Rio de Janeiro, que há mais de 12 anos vem desenvolvendo um trabalho diferenciado e cheio de novidades.
No bate-papo que tivemos, Calos nos contou um pouco sobre a sua escola musical, sua história, além de apresentar o seu mais novo projeto, o CD “Cantiga Vem Do Céu”.
Portal Axezeiro.com: Quem é Carlos Barros? Como você se define?
Carlos Barros: Boa Pergunta! Sou um artista brasileiro que nasceu na Bahia, e que se sente brasileiro no Rio de Janeiro. Moro aqui em Salvador, mas, tenho uma relação muito forte com o Rio.
Portal Axezeiro.com: Como se deu o seu primeiro contato com a música?
Carlos Barros: Canto desde criança, sempre gostei muito de música, e de arte
Portal Axezeiro.com: Quais as suas influencias musicais, de ontem e de hoje?
Carlos Barros: Tudo começou à partir da Tropicália, principalmente de Caetano e Gil, depois as mulheres, Bethânia e Gal que estão muito fortemente em mim como cantor, meu canto tem uma puxada muito da parte das mulheres. E hoje, eu consegui incorporar novos nomes que, de certa forma, desdobram essas influencias, mas me levam para outros campos. Por exemplo, Lenine é um artista hoje, fundamental para mim, a sonoridade de Lenine, a maneira que ele trata os temas, a maneira que ele aborda a relação de cultura popular, modernidade e tradição.
Por outro lado, o surgimento de Maria Rita me impactou muito, pela precisão que ela tem como cantora, pelo apuro que ela tem na arrumação do repertório. E de maneira mais vocal, mais próximo de mim, o trabalho de Daniela Mercury, a maneira como Daniela conseguiu estabelecer um projeto estético, se situar entre o Carnaval e o Pop, e a MPB, cada vez mais eu me interesso mais pelo o que ela faz.
Portal Axezeiro.com: Você começou sua carreira em 1997, nesses 12 anos de estrada o que mudou e o que continua o mesmo?
Carlos Barros: Ah! O amadurecimento. O amadurecimento vocal, o amadurecimento com a compreensão do trabalho artístico, o amadurecimento em relação ao mercado, além da paciência.
Portal Axezeiro.com: Como é fazer parte da cena alternativa de Salvador? Você encontra dificuldades para realizar shows, e dar seguimento aos seus projetos?
Carlos Barros: Paciência é uma palavra que condensa isso. É um mercado difícil, é um mercado que é aberto, talvez, nós tenhamos mais casa de espetáculo para artistas como eu em Salvador, mais do que no Rio, mas é incrível como a ressonância de um trabalho chamado alternativo no sul do país ainda é muito maior do que
Portal Axezeiro.com: O Projeto ‘Cantiga Vem do Céu’, se iniciou em 2008, e posteriormente em meados de 2009 ganhou formato de CD. Como se deu a escolha do título?
Carlos Barros: Esse nome ‘Cantiga Vem do Céu’ existe desde 97, ele vem de uma canção de Caetano Veloso, chamada “Coraçãozinho”; cantava essa música no violão e levei para os shows. Sempre me interessou levar para o palco a temática do cantor artista.
Ficamos seis meses fazendo shows, fazendo o repertório ao vivo, e aí coloquei o nome “Cantiga Vem do Céu”, que acabou virando projeto. Tem o Blog Cantiga Vem do Céu (http://cantigavemdoceu.blogspot.com/), que eu escrevo não somente sobre meu trabalho, mas sobre outros artistas, posteriormente o material desse Blog virará um livro.
Portal Axezeiro.com: E as escolhas das canções que compõem o disco, como se deu?
Carlos Barros: Algumas delas vinheram de um projeto anterior, o ‘Bando de Uns’, que já era um projeto que buscava apresentar esteticamente, identidade e cultura, e onde é que nós como baianos nos inserimos. Fora essas canções, eu busquei trazer do universo da cultura popular, algumas coisas que poderiam ser resignificadas. Como exemplo tem-se “Sereia” e “Cantiga de Raio do Sol”.
O disco contou também com outras composições minhas, que remetem ao samba e tem essa brincadeira, Salvador-Rio, que é “Minha Mulher”, e tiveram também composições de outras pessoas, sempre brincando com algo que seja relativamente inesperado; em uma canção noturna paulistana, a gente inseriu pessoas, em uma canção de candomblé de cabloco, a gente inseriu uma puxada ‘jazzística’. O disco saiu do jeito que eu pensava, tem uma unidade sonora, mas, ao mesmo tempo, cada faixa podemos levar para universos diferentes.
Portal Axezeiro.com: O que podemos esperar para o show de lançamento de ‘Cantigas Vem do Céu’?
Carlos Barros: Vão ser as treze canções do disco, e contará um pouco a história do artista no palco, da beleza do artista no palco, falando de beleza no Brasil. Abriremos o show com uma canção de Chico Buarque, “A mais bonita”. Contará também com um homenageado, que ainda está sendo escolhido. Basicamente, será apresentar o disco, com essa diversidade de sonoridades, que temos lá, e apresentar para um público mais amplo, quem é Carlos Barros.
Portal Axezeiro.com: E você já pensa em novos projetos? Já tem shows marcados de divulgação para o novo CD?
Carlos Barros: Agora não, o grande projeto agora é o CD. Eu fui convidado para fazer um personagem de um filme, ‘O Alienista’ em janeiro do ano que vem. Só que, se tudo der certo, em janeiro estamos indo para o Rio fazer alguns shows por lá.
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Carlos Barros: Vamos lançar um disco dia 27 de outubro, às 20h, no Tom do Sabor, e venham ouvir. O show é super agradável, as pessoas que assistem gostam ou do show inteiro ou de alguma parte.
Quero agradecer a atenção, a internet é uma ferramenta auto induzível, isso propaga muito, tem sido uma ótima ferramenta.
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