
Ele conquistou todo o Brasil com o seu personagem “Marcha Lenta”, na novela Duas Caras, exibida em 2007/2008, pela Rede Globo. Esse soteropolitano vem mostrando ao público que não é só mais um rostinho bonito na TV brasileira.
Sempre ligado às artes, ele já foi dançarino de axé e levou o seu swingue para diversos países, fazendo parte do corpo de balé de grandes nomes da música baiana, atacou também de modelo nas passarelas e fotográfico e participou de uma banda. Mas, foi na televisão e no teatro que ele conseguiu se destacar na mídia como um dos grandes talentos dessa nova geração de atores. Atualmente ele vem se dedicando aos ensaios da peça “Salomé”, com direção de Sérgio Ferrara e Wolf Maya e promete surpresas nas telas do cinema.
O Axezeiro.com conversou com mais uma estrela baiana, Adriano Dória. Simpático e atencioso, o ator contou sobre como se tornou artista, a importância da Troupe Dance na sua carreira, os problemas de saúde que o impediram de seguir dançando profissionalmente e a mudança na sua vida depois de participar da novela Duas Caras.
Axezeiro.com: Quem é Adriano Dória?
Adriano Dória: Bom, é difícil falar de nós mesmos né? Mas vamos lá. A.D é uma pessoa como outra qualquer, com defeitos, qualidades, etc... Mas posso salientar algumas coisas: sou batalhador e um ótimo guerreiro. Inspiração direta em minha mãe, meu maior exemplo em todos os sentidos. Sou chato pra caramba também! É bom e ruim ao mesmo tempo, mas sou chato. Rsss. Sou alegre e feliz! A maior parte do tempo procuro estar “leve”, com ótimo humor e tentando disseminar isso em qualquer lugar que esteja, pois adoro ouvir risadas e gargalhadas. Isso me faz sorrir e ser feliz também, então estou sempre em busca da “terra do nunca”. Rssss.
Axezeiro.com: Como nasceu a vontade de ser artista?
Adriano Dória: Nasceu sem querer, quando passei a freqüentar festas de amigos que tinham bandas em Salvador. Resolvi aprender a dançar a qualquer custo (era uma verdadeira porta, todo duro, sem jeito, é sério!). Todos os meus amigos se davam bem com a mulherada porque sabiam dançar, essa foi minha maior inspiração. Rsss... Logo depois descobri o enorme prazer de dançar, estar num palco, emocionar, fazer rir, e desde então fui acompanhando a maré!
Axezeiro.com: Como surgiu o convite para dançar na Troupe Dance? O que o grupo representa na sua vida?
Adriano Dória: Como falei anteriormente, devido à grande freqüência nas festas com os mesmos amigos, um dos integrantes da banda sugeriu que criássemos um grupo. Aí surgiu a “Tribo de Rua”. Pouco tempo depois, fazendo apresentações em alguns lugares, mestre Binho, da Troupe me convidou junto com outro integrante da Tribo, o Celso, pra fazer um teste para entrar na Troupe. A maioria dos meninos da Tribo estava deixando o grupo, e então resolvemos fazer o tal teste. Passamos! A Troupe Dance representa muuuuito na minha vida! Ali nasceu outra família e foi também através dela que decidi meio por impulso seguir na arte. Aprendi a cuidar do corpo, da minha saúde, respeitar e tentar compreender melhor o próximo. Convivi com pessoas do bem e algumas delas são fundamentais na minha vida até hoje, como Marcos Soares, com quem divido apartamento em São Paulo, Lucas Santana, que mora aqui, bem próximo e estamos sempre juntos, um ajudando o outro sempre!
Axezeiro.com: Você já dançou com artistas famosos. Como foi essa experiência?
Adriano Dória: Muito bom!!! Viajei muito, inclusive pra fora do Brasil. Fiz parte do balé do cantor Netinho, por quase um ano. Amadureci muito nesse período e fui me acostumando a passar longos períodos fora de casa. Isso me ajudou na minha jornada.
Axezeiro.com: Sabemos que você teve problemas de saúde que o impediram de seguir dançando profissionalmente. Como enfrentou essa fase?
Adriano Dória: Pois é, aí começou uma das piores batalhas da minha vida, que tiveram três fases. A primeira fase foi um susto terrível. Depois de uma temporada em Porto Seguro com a Troupe, resolvi tirar “férias” e depois de seis dias sem fazer completamente nada, senti fortes dores na coluna. Resolvi ir ao médico que cuidava da coluna da minha mãe. Esse dia foi terrível, não dá para esquecer nunca. A médica friamente pegou os exames, olhou rápido e disparou: “Você tem uma lesão na L4 S1 e tem que operar. A operação dura em média seis horas. Você tem que ficar oito meses em repouso, lembrando que as margens de sucesso dessas cirurgias não passam de 85%. Estão aqui os números de dois médicos pra você marcar a data”. Dança, esqueça! Surfe, esqueça! Musculação,esqueça! Passe bem... Peguei o resultado, saí da sala, comecei a chorar e liguei para minha mãe desesperado. Resultado: não operei, tenho a lesão até hoje e levo a vida normalmente. Mas, claro que fortaleci a musculatura das costas e abdômen e corrigi a postura. Fase dois: Descobri uma hérnia inguinal (ruptura de tecidos por excesso de atividade física) na região da virilha. Só fui operar depois de três anos, quando não teve outro jeito. Rsssss. A fase três considero a pior de todas. Sofri um acidente e rompi o LCA (ligamento cruzado anterior) do joelho direito e outros traumas no mesmo. Operei e fiz oito meses de fisioterapia, todos os dias. Detalhe: Com menos de dois meses de operado, machuquei o joelho novamente e descobri uma grave lesão no LCP (agora posterior) do mesmo joelho. A cirurgia para essa lesão é bastante complicada, a recuperação idem e por isso ao lado dos médicos, decidimos um plano B e esse vem dando certo até hoje. Fortalecer bastante a musculatura da coxa e evitar alguns esportes como futebol. Mas consigo fazer quase tudo hoje. Correr, praticar boxe, surf, skate, sapatear, e dançar um pouco... rssss.
Axezeiro.com: Você também já participou de uma banda e até fez aulas de canto. Por que a banda terminou?
Adriano Dória: Foi muito rápido. Com o sucesso do Br´Oz, banda composta por cinco homens, resolvemos fazer algo semelhante, só que bem focados na dança. Creio que a banda terminou principalmente pela falta de produção, planejamento e pelo ego de várias pessoas. Essa fase me ensinou manter os pés no chão e ajudou nas aventuras do teatro musical.
Axezeiro.com: Como surgiram as passarelas e a oportunidade de ser modelo fotográfico?
Adriano Dória: Sem querer, rsss. Era promotor de eventos também. Para aumentar um pouco a receita e na divulgação de um concurso nacional de modelos, na etapa Bahia, a dona da agência me pediu duas fotos para me inscrever no concurso. Fui finalista do mesmo e fui levando.
Axezeiro.com: E a vida de ator? Como foi o processo de iniciação da carreira?
Adriano Dória: Começou em Salvador e confesso que nem me lembro por qual motivação. Só sei que comecei a fazer teatro no SESC da Av. Tancredo Neves, rssss. Fiz por quase seis meses e tive que parar, pois estava viajando demais com o “balé” do Netinho. Depois, já em São Paulo resolvi retomar os estudos e nunca mais “largo o osso”. Rsss.
Axezeiro.com: Como é a recepção de um ator baiano na mídia sulista?
Adriano Dória: Acho que independente de onde nascemos ou da profissão, o que mais importa é o profissionalismo, o respeito, a constante busca pelo novo e estudar bastante. Claro que nós baianos, temos um astral diferente, pra cima, que contagia as pessoas e isso ajuda bastante!
Axezeiro.com: Como foi a repercussão de participar da novela Duas Caras, contracenando com feras como Antônio Fagundes, Lázaro Ramos, Thiago Mendonça e Flávia Alessandra, na TV Globo e num papel com a força do “Marcha Lenta”?
Adriano Dória: Mudou a minha vida, em todos os sentidos! Aprendi muito, tanto no profissional quanto no pessoal. Só de ver essas e outras feras, dentro ou fora dos “sets” de gravação é “a escola”. Agradeço a Escola de Atores Wolf Maya, e o próprio Wolf, pela confiança, amizade e oportunidade, hoje e sempre! Quando estou em Sampa, tenho que dar uma passada por lá e quando isso acontece perco as horas. Adoro aquele lugar. Outro lugar que marcou minha vida e me ajudou muito na formação de ator, é o Studio Fátima Toledo. Sou fã dos profissionais de lá, do “método” e daquele ambiente, queria morar lá... rssss.
Axezeiro.com: Quais as novidades da sua carreira? Quais os projetos futuros?
Adriano Dória: Estou me envolvendo com o cinema e estou apaixonadíssimo. Permaneço rodando alguns curtas por aqui. Um deles será inscrito em festivais de curtas pelo mundo e fico no aguardo, quem sabe temos surpresas por aí. Em janeiro devo começar os ensaios da peça “Salomé”, de Oscar Wild, com direção de Sérgio Ferrara e Wolf Maya.
Axezeiro.com: Você é bastante assediado. Como lida com essas situações?
Adriano Dória: Levo numa boa! Respeitando e querendo ser respeitado, sempre!
Axezeiro.com: E o coração? Está ocupado?
Adriano Dória: O coração está ocupado... SOU APAIXONADO PELO MEU TRABALHO. Rssss. Me dedico muito aos estudos e ao trabalho. Ainda não sobra muito tempo para namorar mesmo. Mas eu não to morto não hein! Rsssssssssssss. Como sempre brinco: “estou solteiro, mas não estou sozinho”.
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Adriano Dória: “Não nos preocupemos com bobagens, e vamos procurar o que nos fazem felizes, porque o tempo passa muito rápido, e a única coisa que realmente não vamos gostar da vida, é que ela vai parecer demasiadamente curta. Estamos aqui para sermos felizes.” Abraço a todos e em especial para os “brothers” ZIG e ZAG. Me sigam no http://twitter.com/adrianodoria!
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