
O Portal Axezeiro.com teve o prazer de receber na nossa redação o cantor, compositor, produtor e dançarino Capitão América. Batemos um papo bem descontraído com o musico que fez história na música baiana após ingressar as o Bragadá – Bragaboys.
Na entrevista cedida, Capitão América contou como se deu sua iniciação musical, as mudanças ocorridas, suas preferências artistas, referências. Ele conta detalhes de seus trabalhos atuais, as novidades que estão vindo por aí, além de falar pela primeira vez da sua saída do Bragaboys, entre outros assuntos pertinentes.
Portal Axezeiro.com: Quando se deu a sua iniciação musical? E o que mudou de lá para cá?
Capitão América: Eu entrei pela janela, não pela porta. Eu sempre gostei de dançar, gostava de vê as pessoas dançando, não sabia dançar, era um verdadeiro quiabo duro. Automaticamente a música está com a dança, e a dança está com a música. Antes de me tornar cantor formei um grupo de dança chamado Farol, e assim se deu meu primeiro contato com a música. Posteriormente comecei a compor. Em 1994 na casa de Gilberto Gil fui chamado para animar a festa com o grupo Farol, lá conheci Toni Mola, e ele me convidou para fazer parte do projeto “Bragadá”, aí eu entrei no bolo. Agora um pouco antes de entrar no“Bragadá”, em 1994 Brown me chamou para fazer parte do 2º disco da Timbalada, “Cada Cabeça é um mundo”, na música “Vida Rudimentar”. Fiz uma rápida participação.
Portal Axezeiro.com: Cantor, compositor, produtor, dançarino e coreografo. Qual dessas representações artísticas você mais se identifica?
Capitão América: São paixões antigas. Hoje no geral de tudo, dançar. Porém ultimamente tenho escrito bastante, e tem sido muito bom para mim, tenho sido gravado por outros artistas, nacional e internacionalmente, sendo chamado para fazer parcerias com artistas internacionais, isso vem em cima da música que eu faço, da fusão. Então, eu sempre gostei de dançar, mas escrever, montar uma letra com começo meio em fim, pensar no solo, está tudo junto. Quando fazemos uma música já pensamos na dança, na parte que vocês vão poder interagir. Eu até tento separar, mas no geral não dá não.
Portal Axezeiro.com: Quais suas referências musicais?
Capitão América: Tim maia, Cláudio Zoli, Elis Regina e primeiramente Jackson do Pandeiro, o top do top, um cara que cantava e tocava pandeiro divinamente bem e eu acredito que ele tenha levado a música Brasileira para o mundo. Jackson do Pandeiro era bom, em cantar e fazer um improviso no meio da brincadeira com o pandeiro, um divino tocador e compositor também.

Portal Axezeiro.com: Como o contato com culturas de outros países contribuiu e contribui para o desenvolvimento dos seus trabalhos musicais?
Capitão América: Quando eu só conhecia o mundo pelo telão, eu achava interessante e queria desbravar aquelas terras, mas hoje, que tive a oportunidade de ir para Bali, Estados Unidos, Jamaica, suíça, eu creio que essas viagens me fizeram amar mais o Brasil, amar mais o samba que é nossa música. Depois que fui lá e vi de perto eu acho que o melhor lugar do mundo para se estar, para se viver, é a Bahia. Salvador é o pico. Me fortaleceu no sentido que antigamente eu queria fazer muito um som gringo, feito em português. Hoje eu penso que podemos fundir os ritmos e criar um próprio, como exemplo tem-se o Reggaeton na Jamaica a quebradeira mundial, eles não fazem um pagode latino, eles misturam tudo e acabam criando um ritimo novo. Viajar pelo mundo fortaleceu uma coisa que já trabalho a muitos anos, que é a polirritmia, e eu acabei criando um estilo, o Sacanation Stile, que é uma fusão de tudo isso. As minhas viagens me fizeram ver que a música é o samba, que você pode trabalhar o samba misturando com o hip hop, com o jazz, com o reggae, com o maracatu, fazer a fusão é super interessante. Essas viagens me fizeram ver o samba com outros olhos, ouvir mais o samba, saber mais sobre o samba, como ele surgiu conhecer mais o samba. Minhas viagens me fortaleceram muito nisso, porque lá fora eles gostam da nossa música, ouvem a nossa música, mas eles valorizam a música deles.
Portal Axezeiro.com: Com você define os seus trabalhos musicais atuais?
Capitão América: Mais maduros, mais conscientes, bem mais seguros do que eu quero fazer. No começo eu queria fazer um som gringo, tinha muita influencia da MTV, da música negra americana, mas depois de um tempo você começa a entender, começa a curtir mais o samba, o forró, curtir mais o que é seu. E hoje eu faço uma fusão total, meu trabalho está bem mais maduro e consciente, direcionado. Eu procuro fazer um trabalho para a massa, som para todo mundo.
Portal Axezeiro.com: Como se deu sua saída da banda Bragaboys?
Capitão América: Incompatibilidade de gênios, eu tinha capacidade de fazer algumas coisas, mas ficava limitado a uma música e meia por álbum. Influenciava muito o grupo, até o próprio nome Bragaboys, que eu trouxe do movimento Manguebeat, de Chico Science e Nação Zumbi, eles tinham os Mangueboys, achei massa, se eles eram os Mangueboys poderíamos ser os Bragaboys. Dei o nome e muitas outras coisas para banda, porém meu devido valor não era dado. Uma panela que todo mundo mexe e acaba azedando. Lá muitas pessoas davam palpite, um dia você era muito bem recebido, outro dia muito mal recebido. Então preferir voar sozinho, porque já não funcionava mais, já tinha estagnado, eu queria muito mais!
Portal Axezeiro.com: O que vem de novo por aí? O que podemos esperar de Capitão América?
Capitão América: Tem umas propostas aqui em Salvador bacanas, inclusive para o Carnaval. Como eu passo parte do ano na Suíça e a outra parte em Salvador, isso me faz estabelecer contatos com músicos de lá. Esse ano eu fechando o carnaval como eu estou querendo com um trio independente, devo trazer atrações internacionais. Já estive em São Paulo e fiz contato com a Red Bull e eles ficaram de me prestar um suporte. Fui chamado também, para desenvolver um projeto em São Paulo. Eu e mais quatro cantores, cada um com sua identidade, vamos gravar um DVD, Caravana Reggaeton. Aqui em Salvador eu quero começar a fazer uns ensaios. A galera pode aguardar que esse ano vocês vão ouvir falar de Capitão América.
Portal Axezeiro.com: Como se dá o processo de composição de suas canções?
Capitão América: Eu acredito muito em Deus, e peço todo dia para que ele me torne um ser humano melhor, peço muito aos meus anjos da guarda que me protejam e que Deus me dê a sabedoria para que eu poça aproveitar cada momento. Eu pedi muito a Deus para eu me torna um compositor, para fazer obras, escrever. Hoje acontece de eu estar aqui com você e um anjo sopra uma melodia aqui na minha cabeça, já pego o celular e começo a preparar alguma coisa. Tem dias que saem mais de duas músicas. Eu trabalho em cima do meu dia a dia.
Portal Axezeiro.com: Quem já teve a oportunidade de gravar as suas canções?
Capitão América: Gilmelândia, De Paulo, uma Banda da Finlândia chamada Maria Gasolina, agora a Banda Mina gravou duas, Bragadá, Bragaboys, Terra Samba e tem umas propostas boas que vem surgindo.
Portal Axezeiro.com: A cena de Salvador é favorável para execução de seus projetos?
Capitão América: Há uns três anos atrás eu achava que estava dando nó em ponta de faca. A Bahia segue certo modismo e hoje há uma tendência forte para a fusão de outros estilos com o Hip Hop, e quando eu chego as pessoas se interessam pelo meu trabalho, estou sendo muito bem recebido. Não é que ficou mais fácil, eu tornei mais fácil.
Portal Axezeiro.com: Deixe uma mensagem para os internautas que acessam o Portal Axezeiro.com...
Capitão América:Queria deixar um abraço para o pessoal da minha banda MBM, meus parceiros. Galera acessem o Axezeiro, eles são show de bola, a recepção é muito boa, e é um site com assunto. Fala de música baiana, mas fala de outras coisas também com certo carinho, com preocupação. É interessante, é diferente, um dos melhores da Bahia.
Por Marília Dourado
Dom |
Seg |
Ter |
Qua |
Qui |
Sex |
Sáb |
01 | 02 | 03 | ||||
06 | 07 | 08 | 10 | 11 | ||
13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | |
19 | 20 | 21 | 22 | 23 | 24 | 25 |
26 | 27 | 28 | 29 | |||
03/02/2012 10:13:18
13/01/2012 09:37:19