ENTREVISTAS 09/11/2009

Thiago Silva (TH)

Um novo projeto, um novo artista e a vontade de trazer um novo gás à musica baiana. Foi esta a sensação sentida durante a entrevista com Thiago Silva, vocalista da banda TH.

Muito simpático, o cantor de 26 anos falou sobre seu antigo projeto, a chegada à Caco de Telha, empresa de Ivete Sangalo, e sua expectativa em relação a este novo projeto. TH também fala sobre a participação de sua banda na segunda temporada do seriado Ó Paí, Ó, que estréia na próxima sexta-feira, 13 de novembro, na Rede Globo. O cantor também fala sobre os ensaios semanais no Bahia Café Aflitos, .

TH, fala um pouco sobre este novo projeto.
TH (Thiago Silva):
Bom, eu já tenho um tempo no axé. Já vinha com uma banda com outro nome, até que a Caco de Telha viu o show e falou “vamos montar um novo projeto”. Aí nós sentamos pra fazer algo com ritmos diferentes, por que se fossemos fazer igual a todo mundo não conseguiríamos ir tão longe. Aí fizemos um estudo de ritmos, pesquisamos muita coisa dos que já estão aí como Ivete, Chiclete, Asa e fomos também pra algumas coisas como o Psirico que buscou muita coisa de Angola. Então nós fizemos uma mistura bem legal e estamos aí com um ritmo novo, uma coisa bem interessante.

Axezeiro.com: E como você define este novo ritmo?
TH:
Eu defino como uma mistura de tudo. É de tudo um pouco. Nós não temos um ritmo, nós pegamos um pouco de tudo realmente. Pegamos uma percussão e fizemos uma mistura, a harmonia e fez uma mistura, bota uma guitarra mais rock’in roll, um teclado menos rock’in roll. Fizemos aí uma mistura bem interessante e estamos às sextas-feiras no Bahia Café Aflitos para quem quiser conferir.

Axezeiro.com: Você citou que antes da TH participou de outro projeto. Que projeto foi esse e que influências você traz dele para a TH?
TH:
O projeto anterior se chamava “Versão Bacana”. É um projeto que realmente assim, parece que é o que todo mundo diz, mas realmente aconteceu. Era um projeto de amigos mesmo e com o tempo muita gente foi saindo, foi seguindo seu caminho e eu fui mantendo. O que eu trouxe de lá foi muito a emoção que eu sentia, por que quando eu comecei não tocava apenas por tocar, eu via aquelas pessoas retribuindo a emoção e ia no embalo. Então isso foi muito que eu trouxe e passo para meus músicos, tipo “estamos em cima do palco é emoção, vamos sorrir e curtir o som e não fazer por fazer”.

Normalmente nos shows as bandas tocam mais o que a galera quer ouvir, o que está na moda, mas sempre tem aquele momento mais intimista. O que tem de mais pessoal no show da TH?
TH:
O que eu gosto muito de fazer é realmente brincar com o público. Chamar pra perto, levanta a mãozinha, canta... Eu gosto muita da participação do público, até por que o show é pra eles. O show não é pra “A”, “B” ou “C” e sim para o público, pro povão. Então, eu gosto muita desta interação do público com a banda, é esta intimidade que eu gosto.

Axezeiro.com: A quanto tempo a TH está na estrada e como tem sido a resposta do público?
TH:
A banda, desde quando eu saí da Versão Bacana e entrei para a Caco de Telha, tem um ano mais ou menos. Os primeiros seis meses foram de estudo de ritmos, preparação de banda, novos músicos e digamos que de seis meses pra cá que estou tocando. Nós começamos mesmo o projeto da banda em julho, no próprio Bahia Café Aflitos às sextas-feiras e deu muito certo. A casa tem capacidade para 400 pessoas e sempre dava esta faixa. Então assim, teve uma resposta muito interessante do público e por isso que nós voltamos agora em novembro mantendo as sextas-feiras, juntamente com Daniel Vieira que foi a parceria que fizemos em julho, mantendo este projeto. Tivemos a sexta-feira, 30 de outubro que foi bombada e estamos na expectativa muito boa para daqui até o carnaval estarmos fazendo a festa lá.

Axezeiro.com: No caso, time que está ganhando não se mexe...
TH:
Com certeza! Por isso estamos mantendo o mesmo projeto, com a mesma parceria, no mesmo lugar! (risos)

Axezeiro.com: Já que falamos de time, vamos mudar um pouco o foco. Bahia ou Vitória? O que você está achando da atuação dos times?
PH:
Olha... Nem Bahia, nem Vitória. Eu sou de nascença carioca, mas baiano de coração. Eu nasci no Rio de Janeiro e morei lá só dois anos. Sou flamenguista doente! (risos) Não sou Bahia nem Vitória. Eu torço pelos dois. O Bahia infelizmente não está muito bem, até pela gestão. O Bahia tem muito que aprender com o Vitória, como gerir o time. Mas, torço para os dois, quero que se dêem bem, só não quero que fiquem na frente do Flamengo... (risos).

Axezeiro.com: Voltando ao assunto música, como você enxerga o cenário do axé para as bandas que estão aparecendo agora?
TH:
Ano passado eu estava conversando com um dos empresários, o Fábio Almeida, e ele disse “ligue aí o rádio e ouça quantas músicas novas”. Fizemos uma conta e eram 22. Imagino que este ano será a mesma coisa, 20 ou 22 bandas novas no mercado. Fica quem tem fôlego, quem corre atrás de qualidade. Quem chega e gasta rios de dinheiro normalmente bate na trave. Então estamos bem devagarzinho, na Caco de Telha que é hoje uma das maiores produtoras que existem e, no entanto estamos dando passos de formiguinha, Bahia Café Aflitos, 400 pessoas. Ou seja, estamos fazendo de novo. Ano que vem vamos estudar uma coisa melhor, carnaval vamos sair daqui e fazer fora. Estamos em passos devagar. No cenário há espaço para todos, basta fazer um bom trabalho e com calma. Quem vai de vez...

Axezeiro.com: Até por que não vale apena muito investimento se não há qualidade...
TH:
E não tem base. Se não há base, você investe muito, cresce e quando chega uma hora que você precisa dela e não tem, a tendência é você não acontecer, é você morrer. Essa é uma preocupação que nós temos.

Axezeiro.com: Está chegando o verão, o carnaval. O quê a TH está preparando pra esta época?
TH:
Vai estar entrando uma música nossa nas rádios, provavelmente na semana que vem. A música se chama “Dim dom”, parceria minha com Nizan Guanaes. Esta música vai estar no seriado Ó Paí, Ó, que estréia dia 13 de novembro. Inclusive, a banda vai estar nos episódios não só com a música Din Don, mas também tocando outras músicas. Nós seremos a banda de Lázaro Ramos no seriado. O que vem de novo é isso aí, a música nova e, provavelmente em janeiro agente entra com outra música que já está pronta, só esperando a hora certa para soltar nas rádios.

Axezeiro.com: Segredo?
TH:
Segredo! Em janeiro estamos aí...

Axezeiro.com: Como é que foi participar de Ó Paí, Ó e estar ao lado de nomes como Lázaro Ramos, Luana Piovani, Liu Alison?
TH:
Foi uma experiência maravilhosa. Nós temos que agradecer muito a Monique Gardenberg, que é a produtora dos dois primeiros episódios. Ela ouviu a música através de um amigo em comum, adorou e falou “pô, vou dar uma força”, e colocou a banda para participar. Nós devemos muito a ela, agradecemos muito. Lázaro e toda a equipe são fora de sério. No set enquanto estavam arrumando algumas coisas era ele contando piada, todo mundo conversando, ou seja, rolou um clima bem legal, o Lázaro é muito gente boa. Todo mundo super bacana, o Liu Alison, a Luana Também conversando bastante. Um pessoal nota dez.

Axezeiro.com: Em relação à Luana, a impressão que você teve serviu para tirar aquela imagem negativa que muitos têm?
TH:
Exatamente. Inclusive, o primeiro contato com ela foi até engraçado, pra provar que isso não é verdade. Estávamos sentados esperando a hora para fazer a participação e ela saiu para tomar uma água e começou a conversar, perguntando se íamos participar. Nós falamos que éramos da banda TH e ela achou legal, pegou o telefone do produtor pra puder ir no show quando estiver aqui em Salvador. Então assim, pra tirar essa imagem que as pessoas têm dela, ela é realmente tranqüila, gente boa.

Axezeiro.com: Com ela está sempre em Salvador, é provável que nos próximos ensaios ela esteja por lá...
TH:
Estou torcendo para que ela ligue e apareça lá! (risos).

Axezeiro.com: Participar do seriado instigou um lado ator seu?
TH:
Apesar de não ter tido fala, mas assim, muita disse que “ah, você leva jeito”... Enfim, eu gostei, achei bem legal... Quando era criança fiz muito teatro em escola, não tenho esperiência nenhuma em teatro profissional, mas foi uma experiência muito boa. Se houver uma nova oportunidade será ótimo! A Monique disse que quando houvesse outra oportunidade ela iria procurar... Foi legal e eu espero poder fazer novamente.

Axezeiro.com: Fala um pouco sobre a música Dim Dom.
TH:
Eu passei o réveillon junto com o Nizan, meus familiares têm amizade com ele e, ele falou “vamos fazer uma música juntos que eu quero que você toque”. Eu topei, ele chegou com a música, com a idéia já pronta e nós elaboramos. É uma música que fala bem de Bahia, de carnaval, de Carlinhos Brown, Ivete, Chiclete, Caetano, Gil... Fala do Gantois, das igrejas. Então, é uma coisa bem Bahia, bem Salvador, bem baiano, como é Nizan, como eu me tornei, apesar de ser carioca, mas sou um baiano legítimo como eu me considero, até por que minha família só tem baianos. Então a música é isso aí, bem Bahia. O título faz referência a uma música de João Gilberto, mas transformamos pra baiano. João Gilberto fala muito “dom, dom, dom, dim, dim, dim” e nós usamos o “dim dom” que dá um molejo bem baiano.

Axezeiro.com: Você é carioca, mas mora em salvador a mais de 20 anos. O quê mais te dá orgulho aqui e o quê você apagaria?
TH:
O que mais me dá orgulho é o jeito de ser baiano, que eu já me tornei. É este espírito de gente boa, que acolhe qualquer pessoa que chega, esta coisa de está sempre bem humorado, brincalhão.  Uma coisa que eu gostaria de apagar é esta coisa de achar que baiano é preguiçoso. Eles não têm noção. Eu que RO ver um paulista, um carioca, alguma pessoa de fora vir trabalhar no carnaval da Bahia e ter fôlego pra ficar os sete dias, 24 horas como ficam os baianos trabalhando. Imagine durante o ano... Essa visão de baiano preguiçoso é algo que eu recrimino muito e já adquiri este hábito de acordar cedo para trabalhar, faz show de madrugada e acordar cedo para dar entrevista. Este negócio de que baiano é preguiçoso não existe e eu recrimino de todas as formas.

Axezeiro.com: Fala um pouco sobre a mídia e o artista. O que você pensa em relação à má divulgação de informações, à superexposição de alguns artistas na mídia?
TH:
Eu acho que a mídia é muito importante para o mercado e o artista, assim como o artista é muito importante para o mercado e para a mídia. A melhor forma era que existissem pessoas que elevassem o axé, elevassem a mídia baiana, tanto por parte do artista como por parte da mídia. Existem aqueles jornalistas que querem polemizar. É uma parcela muito pequena, mas existe e o que o artista tem que fazer com isso é não dar atenção. Quanto menos atenção for dada, menos ele vai querer falar, por que se ninguém está dando atenção acabou, ele acaba não sendo visto. Então, tem que se entender que a mídia precisa do artista e o artista precisa da mídia. É uma coisa em conjunto que deve ser benéfica para os dois. Enquanto isso não for entendido vai continuar havendo superexposição, brigas, atritos, vida pessoal sendo colocada. No momento em que houver o atendimento entre as partes, será bom para os dois, bom para o axé, pra Bahia.

Axezeiro.com: Fala um pouco sobre a sua chegada à Caco de Telha, que é de Ivete Sangalo.  Há um contato com Ivete?
TH:
Estávamos fazendo as aberturas dos shows da Motumbá no Hoton e o pessoal da Caco assistiu nossa apresentação, gostaram e começou este namoro, conversas. Foram alguns meses de ajustes e foi assim que começou minha relação com a Caco. Ivete, eu conheci na “Noite do Bem”, na primeira noite do evento, que ela deu canja junto comigo e Mariana (da Banda Mina). Ivete é uma pessoa maravilhosa. Durante o show ela me puxava pra cantar. Esse foi o meu primeiro contato com ela. Tenho recebido recados dela através de pessoas da Caco de Telha, dando força, convidando para o Carnatal, pra assistir a festa lá do trio dela. Eu não tenho ainda este contato direto, até por que estou na Caco a pouco tempo. Agora, cantar com ela foi uma emoção mil! Um fãs cantar ao lado do ídolo, eu vou te dizer que fiquei nervoso, tremia e ela com toda a experiência me acalmou e foi sucesso.

Axezeiro.com: Fala um pouco sobre a sua participação na Noite do Bem, que foi um sucesso. Qual foi a sensação?
TH:
Foi incrível! Eu primeiro entrei sozinho, logo depois Ivete chamou eu e mariana. Quando entrei só, vi aquela multidão, eu um artista desconhecido, e eles responderam maravilhosamente bem. Antes de entrar até perguntei a Ivete se poderia tomar um pouco do público dela e ela respondeu dizendo “vá fundo, é seu”. O público reagiu bem e eu fiquei muito feliz mesmo. Eles cantaram as músicas, na parte da interação eles respondiam... A banda, sem comentários. Todos os músicos foram maravilhosos comigo. Foi inesquecível, vou lembrar sempre.

Axezeiro.com: Qual é a programação da TH para o carnaval? Já tem algum bloco definido?
TH:
Estamos aí com dois blocos, coisa de alguns dias pra definir. Provavelmente agente faça aqui um dia de bloco e nos outros devemos viajar para fazer fora, em Barreiras, Porto Seguro. Esta é a nossa intenção. Dentro de uma semana mais ou menos já vai estar decidido.

Axezeiro.com: E a interação da TH com o público via internet como anda?
TH:
O site está quase pronto, temos o Twitter, Faceboock, o Orkut que é bastante movimentado. Por enquanto estas são as ferramentas que usamos. No momento que o site estiver no ar teremos blog, os outros mecanismos estarão sincronizados, fotos e vídeos estarão sempre atualizados.

Axezeiro.com: Você é viciado em internet, Twitter?
TH:
Twitter eu gosto muito de acompanhar, não sou muito de postar. Mas, o site da banda vai estar sempre atualizado e será algo diferenciado. Vai ser muito ligado à música e estarei sempre postando coisas do meu dia a dia relacionado a ela, do tipo “estamos aqui no ensaio”, faz um vídeo e posta... “vim dar uma entrevista no Axezeiro”, pfilma e joga no site. Tudo relacionado à banda.

Axezeiro.com: TH, o Portal Axezeiro.com agradece pela descontraída entrevista, te deseja muito sucesso e que você venha com ótimas músicas. Pra finalizar, deixa um recado para o público que já conhece seu trabalho e os que estão conhecendo agora e faz uma chamada para os ensaios no Bahia Café Aflitos e a estréia de Ó Paí, Ó.
TH:
Primeiro galera, o Axezeiro aí, com este portal show de bola que acompanho sempre, o camarote também bombado. E é isso aí, acompanhem, aTH vai estar sempre mandando notícias! Sobre Ó Paí, Ó, estréia na sexta-feira 13, mesmo dia de nosso ensaio e estão todos convidados. Vamos exibir a estréia do seriado e espero vocês para verem a música “Dim Dom” que fiz com o Nizam Guanaes e assistir ao show! Muito obrigado!

Por Robson Cobain
Foto: Pepê Santos/ AG ACI e Divulgação

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Camarote Axezeiro Open Bar!




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