
Levada da Breka. Um projeto com mais de seis anos de estrada, que leva o axé baiano para outras cidades do país, crescendo aos poucos e conquistando admiradores. A falta de espaço no mercado local parece não ser problema para a vocalista Verônica Costa.
Em um bate papo com o Portal Axezeiro.com, Verônica fala sobre o início da carreira musical logo criança, bandas em que já cantou, prêmios e concorrência no mercado musical. A comparação a Daniela Mercury, o pagode baiano e futuros projetos também são abordados na entrevista.
Confira a conversa com esta jovem, mas bastante experiente cantora que mostra-se determinada a conquistar o seu espaço entre os grandes nomes da música baiana.
Portal Axezeiro.com: Verônica, fala como foi sua entrada no meio musical que é tão concorrido e muitas vezes não correspondido.
Verônica Costa: Eu comecei criança, com aquelas gincanas de colégio. Eu gostava de dançar e um dia me descobriram em uma sala cantando e tocando violão e disseram “essa menina dá pra cantar”. De repente eu estava no programa Vacilou Dançou representando um colégio. Depois passei a ser requisitada para blocos infantis como o Baby Léguas, mas só que até então meu pai não curtia muito por que achava o meio artístico meio promíscuo, muito pesado... Então ele me segurou um pouco. Aos 16 anos fui convidada para uma banda que só tinha adolescentes e fomos revelação do carnaval infantil. Logo depois comecei a fazer baile, barzinho, a faculdade de todo artista, mas sabendo que não seria fácil.
Axezeiro.com: Você fala que o barzinho é a escola para todo artista, mas há várias pessoas que estão no mercado e não passaram por ele. O que você pensa sobre isso?
Verônica Costa: Deve ser a nova geração. Não que eu seja velha (risos). As coisas mudaram, mas eu continuo achando que o barzinho, não resumindo a voz e violão, MPB, eu falo todo tipo de música, você cantar na noite, Ganhar experiência, interagir, isso tudo é importante e lhe dá um suporte. É importante, mas se a pessoa não passou por ele, tem talento, carisma e achou a oportunidade, que bom. Que ela siga em frente e aproveite sua oportunidade. O sol brilha para todos e a pessoa merecendo, a hora dela vai chegar.
Axezeiro.com: Você já cantou na banda Tiete Vips. Fala um pouco sobre este período.
Verônica Costa: Eu já vim de outras experiências também, outros blocos como o Pique, Tapajós que é um dos trios mais conhecidos do Carnaval. Então, fui convidada para entrar no Tiete Vips substituindo Wil Carvalho. O Tiete Vips todo mundo conhece, que era o bloco mai animado, ganhava todo ano. Não sei se ainda continua com esta mesma empolgação, mas na época em que eu participei, na época de Val Vale, ele sempre foi um bloco muito esperado. Foi nele que ganhei o troféu de Cantora Revelação de 2001, no Dodô e Osmar e foi muito marcante.
Axezeiro.com: Os blocos mais antigos deveriam ser mais valorizados, ganhar mais destaque na mídia?
Verônica Costa: Com certeza. Esses blocos têm nome e ainda tem muitos que continuam. O Papa Léguas por exemplo, virou Papa. Mas acho que tem que estar sempre se renovando, se reciclando, não pode ficar com uma mentalidade arcaica. Acredito que os blocos antigos que não vieram à frente foi por falta de renovação. Mas tem alguns blocos que acho que deveriam estar aí, como aqueles blocos de rua dos antigos carnavais, que as pessoas podiam brincar sem medo da violência, mas infelizmente não é assim e as coisas mudaram. Tem que haver a segurança e eu acredito que as coisas vão mudar e virão mais coisas diferente para melhorar, trazer uma nova saída.
Axezeiro.com: Você está agora com a Levada da Breka. Fala sobre o projeto.
Verônica Costa: Logo depois do Tiete nós montamos este projeto. Eu queria montar algo parecido com o meu comportamento no palco. As pessoas se perguntam “por que Levada da Breka” e você já ouviu falar quando quando a pessoa é muito moleca, não para nunca, é levada da breca. E eu sou assim, tenho esse lado moleca que nunca vou deixar, sou muito comunicativa, muito alerta e por isso o nome e a pessoa quando assistem ao show já entendem o nome da banda, já diz “ela é a levada da breka”. Esse é um projeto que já vem a seis anos.
Axezeiro.com: Como você define o som da banda?
Verônica Costa: É uma mistura. Eu faço pesquisa, procuro ver o que está rolando no momento, o que tem de legal e fazer uma roupagem com minha cara. Eu procuro estar atualizada e tocar de tudo um pouco, claro que com o axé, mas com um pouco de tudo.
Axezeiro.com: Nesta mistura com certeza deve rolar o pagode. Você cai na quebradeira também?
Verônica Costa: Meu amigo, eu vou te dizer uma coisa, eu sou pagodeirissima! (risos). Inclusive muitas pessoas de rádio em entrevista e no carnaval algumas pessoas nas transmissões ao vivo eu passar cantando pagode e as pessoas dizerem “ela é a Xandy de saia!”. Eu já fui chamada de uma mistura de cantores e eu gosto mesmo do pagode, claro que o pagode sem baixaria, sem ser aquele pagode baixo astral. Mas eu curto e escuto Psirico, Harmonia, Guig Gheto, Parangolé e eu coloco mesmo em meu repertório.
Axcezeiro.com: No caso, dá para fazer música sem descer o nível...
Verônica Costa: Com certeza, sem dúvida nenhuma. Música é alegria e o importante é você música com uma qualidade rítmica, que tenha balanço por que a nossa cultura é isso, é o ritmo e, você pode fazer um “lê lê ou lá lá” com ritmo, mas sem estar menosprezando ninguém, sem estar discriminando ninguém, é você estar levando as pessoa para ser feliz, sem discriminação com a mulher. E sendo assim está tudo bem, tudo certo.
Axezeiro.com: E músicas autorais no repertório?
Verônica Costa: Graças a Deus eu toco e canto, mas não há muita coisa minha no repertório, até por que eu gosto de pesquisar e tenho muitos amigos compositores como o Tonho Matéria, grandes parceiros. Estou sempre em contato com eles e eles sempre me oferecem algumas composições e dizem que se eu precisar terá sempre música nova à minha disposição e, uma banda precisa de uma música autoral para tocar na rádio e esse contato é muito bom.
Axezeiro.com: O que você leva de referência para o palco?
Verônica Costa: Nossa Bahia é rica, nós temos excelentes cantoras e cantores e graças a Deus eu posso pegar um pouco de cada um e levar para meu show. Eu já fiz cover de Daniela Mercury, era apaixonada e gosta ainda, sou fascinada pela música dela. Eu comecei a fazer cover e as pessoas começaram a dizer que eu tinha a voz muito parecida com a dela, a me comparar bastante a ela e isso passou a me incomodar. O incômodo não foi pelo fato de parecer com ela, por que isso pra mim é um grande elogio, mas sim pelo fato de que eu queria ter minha própria identidade, não viver na sombra dela. Aí veio Margareth, Ivete, Gilmelândia... aí eu fui colhendo um pouco de cada uma, de Daniela, Ivete, Margareth, Xanddy e criando a verônica. Gosto de todos, vou ao show de todos, mas tenho o meu jeito de cantar mesmo tendo um pouco de cada e o público vê isso em meu show, vê minha marca.
Axezeiro.com: Fala um pouco do mercado local para os artistas que estão fora do eixo principal...
Verônica Costa: Se você está dentro de uma grande produtora, eles já têm o núcleo dele e, quando os contratantes ligam já querendo tal banda e fica mais fácil trabalhar a nível de eventos, micaretas maiores e, nós estamos fazendo coisas menores, outros estados. É complicado trabalhar aqui na Bahia, a não ser que você tenha um nome já tenha certo nome, música estourada na rádio, esteja direto na TV. Então o contratante vê e quer, isso é natural. Fora isso você tem que ir pela beirada, na correria, mandando material, manda brindes, mas também não é fácil.
Axezeiro.com: Então fazer um trabalho fora às vezes é mais viável, dá um retorno melhor?
Verônica Costa: Sim. Lá fora é muito mais fácil. Pra começar que quando rola uma micareta eles dão prioridade a bandas baianas. Se eles não podem contratar uma Ivete, uma Claudia Leitte, Clhiclete, eles pegam uma banda de médio porte quem tem que ser de Salvador. E você chega lá com uma moral, com a sensação de que você é uma estrela. Mas a questão é que você é de Salvador e é isso que é importante, por que muitos tentam montar uma banda de axé e não fica igual e, o público conhece quando o som é autêntico da Bahia que eles tanto gostam.
Axezeiro.com: O importante então é ter talento, independente de ser um grande artista baiano ou uma banda de médio porte...
Verônica Costa: Com certeza. É chegar lá e mostrar a que veio. É você deixar sua marca, seu nome.
Axezeiro.com: Qual seria a região ou estado que mais abraça as bandas baianas.
Verônica Costa: Sem sombra de dúvidas é Minas. Um estado que sempre acolhe muito bem nossas bandas e um mercado que eu tenho muita vontade de entrar.
Axezeiro.com: Fala um pouco sobre as novidades.
Verônica Costa: Na verdade nós estamos precisando realizar ensaios aqui em Salvador. Por que nós ficamos muito tempo fora e quando estou em Salvador faço muita participação em Harmonia do Samba, Olodum... Mas não é a mesma coisa de você fazer seu próprio ensaio, com sua banda, seu repertório, seus convidados. Então nós precisamos deste espaço, estamos estudando isso e se for no meio da semana é melhor ainda, por que no final de semana você fica livre para tocar em outros lugares. Nós queremos fazer isso quem sabe em parceria com outra banda, daqui para dezembro, janeiro, mas nada certo ainda. Com fé em Deus vai dar Certo.
Axezeiro.com: E o Carnaval da Levada da breka?
Verônica Costa: Eu tenho uma saudade de fazer o Carnaval de Salvador. Eu fiz oito anos entre o Tapajós, Tiete, trabalhei com Xexeu, passei muitos anos puxando blocos conhecidos. Mas nos últimos anos eu me vi fazendo fora por causa das oportunidades, aqui com muitas bandas, muita gente pra trabalhar. Nos últimos anos têm sido no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba. Nestes lugares que citei chegamos como atração, e atração grande. Puxamos blocos grandes, bastante conhecidos. É onde o Psirico toca, sai um dia daqui e vai pra lá, o Olodum toca, Harmonia... E todos são muito valorizados e eu aproveito isso.
Axezeiro.com: Tem planos de música para o Carnaval?
Verônica Costa: Nós temos música, estamos pensando em entrar no estúdio agora e gravar um “aovivão” e também um DVD, por que hoje em dia é necessário para mostrar ao contratante, ele quer ver como é a banda no palco, ver o que ele está comprando. A música estamos com algumas parcerias e procurando fazer algo que agrade o público, que tenha uma coreografia, que pegue fácil.
Axezeiro.com: Verônica, muito obrigado pela entrevista. Deixa um recado para a galera que acompanha o Axezeiro, que acompanha seu trabalho...
Verônica Costa: Eu queria agradecer e parabenizar o Axezeiro que está crescendo muito graças a Deus. Eu tive a oportunidade de assistir alguns vídeos e achei fantástico, o Carnaval foi muito bom. Eu fico feliz por esta oportunidade, a Levada da Breka nesta parceria. Que bom que nós podemos fazer parte desta família axezeira. Espero que eu possa trazer algo de bom, de positivo, assim como vocês estão me dando, que eu possa retribuir através de minha música de minha alegria, meu amor pela Bahia, pelo Carnaval. Axezeiro é tudo de bom!
Por Robson Cobain
Fotos: Uran R/ AG ACI
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