
Kity Cohim já trabalhou como estilista de ícones da música baiana como Daniela Mercury e Margareth Menezes, é formada em Moda pela Unifacs, estudou também na renomada escola de moda “Instituto Marangoni”, em Paris.
Além de Daniela e Margareth, a soteropolitana já vestiu Saulo Fernandes, Vânia Abreu e André Lelys, entre outros, com seu estilo inconfundível e lúdico: customização, flores, babados, laços... tudo feito com uma originalidade artesanal e exclusiva. Além de investir nos adereços decorativos, com os mesmos padrões de suas peças, e que enchem os olhos dos visitantes.
As peças de Kity já foram vendidas em lojas como Maria Santa e Vero, mas hoje estão à disposição dos clientes em seu ateliê, que fica na Villa Santa, na Barra. Inspiradas em Frida Kahlo e sua arte mexicana, Kity, Lia Chagas, Adriana Regis, Ana Suza e Bianca Cabral se reuniram e colocaram suas lojas para funcionar em um casarão da década de 40, com cores fortes e muitos elementos religiosos. Ao todo são quatro lojas, uma creperia e um Salão de Beleza.
Com o nome de “Garden Park”, sua mais recente coleção, apresentada em setembro de 2008, foi baseada nas visitas que a designer fez a jardins europeus no ano passado. Em um bate papo com a repórter Alice Britto, ela faz um panorama da moda baiana.
Axezeiro:Kity, como a moda entrou na sua vida?
Kity: Fazia bolsas artesanais com minha mãe para vender e o resultado era bem interessante. Um dia, resolvi arriscar e fiz algumas peças de roupa para minha amigas... Tomei gosto, deixei o emprego na empresa do meu pai e passei a cursar moda na Unifacs. Desse dia em diante, não parei mais.
Axezeiro:Quais são suas maiores influências no mundo da moda?
Kity: Adoro o estilo romântico, retrô, as referências dos tempos antigos. Além disso, acabo sempre me inspirando na natureza. Acho que nela, sempre encontramos novos elementos que remetem ao lúdico e feminino.
Axezeiro:Como você e as outras empresárias idealizaram a Villa Santa?
Kity: A Villa Santa sempre foi um sonho meu, até que um dia me reuni com um grupo de amigas com o mesmo foco, tomamos coragem e demos partida para tirar do papel o nosso sonho.
Axezeiro:Com o crescimento do ateliê e da procura pelas suas peças, ainda tem tempo viável para desenvolvê-las artesanalmente?
Kity: Hoje, tenho uma equipe que trabalha para mim, assim tudo torna-se mais fácil! Eu desenvolvo todos os conceitos e tenho pessoas capacitadas para colocá-los em prática. Sou muito exigente com isso, pois não quero perder o que plantei desde o início.
Axezeiro:Ainda são poucos os artistas baianos que dão uma ênfase maior na comunicação visual no carnaval, como Carlinhos Brown (sempre criando fantasias, até no trio elétrico) e a própria Daniela em seus figurinos, trios e camarotes. O que você acha do figurino dos artistas do axé hoje?
Kity: O carnaval é uma manifestação popular, alegre e colorida, onde o artista deve se permitir incorporar personagens... Alguns artistas não conseguem entrar no clima da fantasia, o que eu acho mesmo uma pena. Porém, a maioria deles tenta transmitir alguma mensagem em seus figurinos, ainda que de forma tímida.
Axezeiro:E o design das camisas de camarote e abadas: como você vê as peças que vão às ruas?
Kity: A customização, tanto nas entregas dos abadás, quanto nos camarotes e festas da cidade, tornou-se comum. Assim, fica muito mais fácil dar forma e colorido nos looks, assumir uma personalidade e transformar o simples em fashion. Na minha opinião, a cada carnaval que passar o serviço de customização ganhará mais força no mercado.
Axezeiro:Como a moda baiana pode adaptar as referências internacionais?
Kity: É importante repaginar, por assim dizer, a moda internacional. É nela que tomamos nossas maiores referências, afinal, o mundo já não tem fronteiras muito definidas. Entretanto, esse conteúdo precisa ser adaptado a nossa realidade, por exemplo, utilizando materiais e tecidos leves apropriado para o nosso clima.
Axezeiro:O que você acha da moda baiana atualmente?
Kity: Eu vejo que os nomes da moda local vêm verdadeiramente crescendo. Hoje, o baiano tem uma cabeça mais aberta, arriscando o diferente.
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