ENTREVISTAS 28/07/2009

Terra Samba - A nova cara do Terra!


Um foi cantor do “Bragaboys” ,grande banda de sucesso do axé music nos anos 90, o outro começou a carreira artística com apenas 14 anos cantando nos barzinhos de Salvador, e o mais velho da turma é um dos melhores percussionistas da cidade e está desde o começo na banda. Estamos falando da nossa formação do Terra-Samba que vem contudo para animar o público em 2009.

Mano Moreno, Márcio Bahia e Mario Ornelas receberam o Axezeiro.com no estúdio do grupo, no Rio Vermelho, em Salvador, para nos contar sobre as novidades do Terra. Confira esse bate-papo divertido com os garotos:


Portal Axezeiro.com: Como iniciou a carreira musical dos três e como surgiu o convite para cantar no Terra-Samba?

Mario Ornelas: Iniciei nessa vida com 16 anos, tocando e desfilando nos blocos de carnavais. Eu tinha meu tio Vadinho que já faleceu que era porta-bandeira da escola de samba da Amaralina, ia muito com ele nos ensaios. O último bloco que desfilei foi a escola de samba de Santo Antônio o ‘Alerta Mocidade’. Toquei também num grupo de samba junino que tinha no bairro. Depois recebi o convite do Gerasamba, aí parei de tocar nesses blocos e nas escolas de samba. Daí veio o Gera, o Terra e um monte de coisas. E tó aqui até hoje.

Mano Moreno: Eu comecei no Bragada. A banda foi um projeto que Tony Mola trouxe de Nova York, quando ele chegou de lá foi ver um show meu. Eu cantava em alguns grupos. No Arraiá da Capitá tinha algumas bandas alternativas aí ele me convidou para um projeto novo. No início achei meio maluco, mas quando fui para o ensaio fiquei encantado com tudo que estava acontecendo e entrei. Em 98 gravamos o primeiro disco da banda que foi o “Pega-pega” um grande hit, depois veio ‘Visceral’ e ‘Tribal DDD’. Fomos para o escritório Canto da Cidade de Daniela e gravamos pela EMI o primeiro disco. O disco Visceral vendeu 80 mil cópias, era um movimento novo na Bahia e assim foi projetando o grupo nacionalmente. Em 2001 recebemos o convite da Sony Music para fazer um grupo só com cantores. Na Sony tivemos um disco ao vivo chamado “Visceral”, na época cantava eu, Adelmo Cazé e Glauber, do Capitão América. Adelmo ficou por lá um ano, resolveu sair para fazer a sua carreira, ficou eu e Capitão América. Na virada do ano a gravadora convidou para fazer um projeto novo que o presidente daquele tempo tinha uma idéia de fazer uma banda no Brasil com três cantores que tivessem performance diferente. Ele veio com a versão em português da música ‘Bomba’, no início parecia que nada ia acontecer, mas começou a fazer sucesso, chegando até ao Japão, foi a canção do carnaval durante dois anos seguintes e coreografia do verão. Por histórias de empresários em 2003 eu saí para outro projeto onde fiquei durante dois anos, depois montei um grupo com Beto Jamaica, o Xinelada, que foi bem sucedido, entretanto durou pouco tempo. Foi quando recebi o convite do Terra-Samba, eu já era fã do trabalho, sempre  gostei e resolvi apostar nessa nova etapa da minha vida. A história do Terra-Samba quando Jarbas me convidou era para que entrássemos e mais na frente quando Reinaldo tivesse seguro das coisas ele ia para uma carreira paralela, que já era algo conversado, mas achávamos que isso era para daqui um ano ou mais, só que quando entramos ele gostou tanto que disse para seguirmos. Ele está na torcida e continua sendo nosso parceiro, na verdade não foi uma saída ele se ausentou e estamos dando continuidade. 

Márcio Bahia: Eu comecei cantando muito em barzinho e restaurantes de Salvador. Se eu for citar todas as bandas que já passei vamos passar o tempo todo aqui, já cantei em muitos grupos que foram uma escola para mim. Muitas pessoas iam me escutar e fui convidado para fazer backing vocal do Tapajós. Entrei na onda de bandas, mas antigamente só cantava pagode, eu era pagodeiro! Depois surgiu o convite para cantar com Beto Jamaica que naquela época estava querendo sair do Tchan e fiz parte do Negão Jamaica onde fiquei por dois anos, assim como outras bandas de arrocha. Daí surgiu o convite do Reynaldo, da galera do Terra-Samba que eu também sou fã e gosto do trabalho do Terra tão quando o Mano. Agora estamos aqui dando continuidade a esse trabalho que o povo vai aceitar ou melhor está aceitando.

Portal Axezeiro.com: Como está sendo a aceitação do público com essa nova formação? 

Mano Moreno: Eu fiquei muito surpreso com e-mails, comentários em blogs e tudo que vem acontecendo porque as pessoas que gostam do Terra-Samba absorveram essa novidade com naturalidade. A música baiana não absorve muito bem essas coisas quando há uma briga, um desentendimento, mas nesse caso foi por uma questão mesmo do Reynaldo querer fazer a carreira dele e já estava seguro de que agente estava para seguir com o grupo. Temos feito shows em Minas, no interior de São Paulo, por esse Brasil a fora e as pessoas estão encantadas até porque o que buscamos foi marcar essa característica do Terra e misturar um pouco das nossas influências e renovar essas músicas que nunca morrem. A banda tem um material vasto, se você pegar desde o CD Ao Vivo e a Cores onde tem ‘Carrinho de mão’, ‘Tá tirando onda’, ‘Tô fraco’ e a música que marcou a carreira da banda que é ‘Liberar geral’, damos uma nova roupagem e uma nova interpretação nesses sucessos. Música quem dá a vida é o cantor. Tem sido muito bacana a receptividade, talvez acima do esperado. Quando saímos do show atendemos mais de cem pessoas no camarim e todo mundo querendo uma lembrança, um CD. Tudo isso é gratificante.


Portal Axezeiro.com: O que o Mano e o Márcio vão trazer da sua musicalidade e personalidade para o Terra-Samba?

Mano Moreno: Eu gosto muito do Hip-Hop, do afro, do Pop, de misturar essas influências da música. A música universal é muito maior do que imaginamos. O Terra-Samba tem uma influência muito forte do samba, isso é bacana porque eu posso mistura com o afro, o pop e Márcio têm outra característica, então fazemos essa mistura e fica uma fusão muito legal.
Márcio Bahia: Agente tá levando, juntando as peças e dando uma renovada na nova cara do Terra-Samba. É a mistureba!


Porta Axezeiro.com: Hoje temos no cenário musical artistas cada vez mais precoces com o seu talento, como vocês enxergam isso?

Mano Moreno: Comecei a frequentar o meio artístico com 14 anos através de um amigo meu que é técnico de som do Jamil, ele me levou perguntando se eu queria trabalhar e respondi que queria, pensei que era para cantar, e ele me deu uma chave de fenda para concertar palanque. Mas aí despertou a minha curiosidade. O mercado musical hoje é muito vasto, há dez anos atrás eram poucos os pais que queriam os seus filhos envolvidos com músicos porque eles eram vistos como  marginais, sexo,drogas e rock roll. Hoje um doutor quer que seu filho vá estudar música, as coisas estão mais fáceis, os adolescentes estão tendo acesso as informações com mais facilidade até porque não tínhamos a internet. Eu tenho uma sobrinha de 8 anos que toca teclado, não toca de verdade, mas faz as notas, tem aptidão para a música porque ela ver na internet. Não é o mercado que está precoce, as pessoas que estão desenvolvendo música. A Bahia está respirando música 24 horas, temos duas grandes escolas de música, que poucos lugares do Brasil têm, antigamente se quiséssemos estudar música só fazia UFBA e Católica ou tinha que ir para o interior de São Paulo. Hoje a comunidade tem acesso a música. Tem grupos que surgem do gueto e são pessoas que se juntaram com os amigos para fazer um som. A prova disso é o Psirico que nasceu no gueto de uma brincadeira de amigos e daí migraram vários.

Mario Ornelas: Não é precoce é um desenvolvimento maior, uma fusão grande entre raças. Eu posso falar assim porque nesse tempo em que ele falou aí o gueto desenvolvia muitos percussionistas para você achar um cara que tocasse cavaquinho, teclado e guitarra era muito difícil, hoje é fácil, até mesmo da parte nobre, os caras que tocam piano, violão não metiam as mão nas coisas, hoje não, eles se interagem vão para a casa do outro, vão para o gueto, todo mundo estuda e o menino que está li daqui a pouco ta cantando e tocando. Em cada esquina de Salvador tem um músico pra substituir qualquer um que falte.  

Márcio Bahia: Para mim tem sido maravilhoso porque cada vez mais surgem pessoas com potencial musical muito bom. Tá sendo legal.


Portal Axezeiro.com: O que é o axé para vocês?
Mano Moreno: O axé é a mistura de tudo, porque não tem rótulo, é a mistura de todos os ritmos. Se você parar para olhar no axé tem muita influência africana, às vezes os mais leigos dizem que é do candomblé, mas foi ele que adaptou o seu ritmo ao axé. Psirico é África pura, Márcio Victor é um pesquisador total de música eu sou fã dele, ele é uma enciclopédia de música baiana. Eu acho muito bom o músico que respira música 24h por dia porque ele está ali a serviço da música baiana, por isso que ela nunca caí. Nesses 12 anos de carreira eu já vi gente dizendo que o axé music iria acabar, ela nunca vai terminar e quando pensam que não tem mais nada vem o Parangolé que deu uma nova vida, o Saulo Fernandes e o Levi que vem surgindo de uma nova geração.  Por isso que eu só amante da música porque eu sei que ela nunca vai acabar e meus filhos não vão passar fome. 


Portal Axezeiro.com: Quais são as inovações do Terra?

Mano Moreno: Temos o projeto de fazer ensaios em Salvador. Quando eu falo de ensaio na cidade, eu posso dizer isso com propriedade porque quando começou essa história de ensaio tínhamos os da Timbalada, do Olodum, do Araketu e do Ilê Aiyê que eram tudo no gueto. No Bragada eu tive essa felicidade de fazer um projeto dos ensaios na segunda-feira, porque nesse dia não tinha muita opção do que fazer, só que queríamos ficar mais próximo do público. Então o projeto de fazermos os ensaios do Terra-Samba não é aquele mega ensaio, a idéia é ficarmos mais perto das pessoas que gostam do nosso trabalho, estamos elaborando um lugar, para que possamos voltar aquela história do ensaio ser aquele local onde você está perto do artista que você gosta e mostrarmos o que temos feito por esse Brasil a fora. Estamos vendo se vai ser semanal, quinzenal ou mensal, mas pode ter certeza que nesse segundo semestre vamos ter muita novidade e vai ter esse projeto dos ensaios em Salvador. Eu gostaria que fosse na praia! Em relação a televisão temos uma assessoria em São Paulo que já tá montando uma grade para fazermos divulgação, apesar dos meios, os canais e os acessos que se tinham a 5 anos atrás não ser os mesmos, temos poucos veículos para divulgar a música da Bahia, você tem um Raul Gil e um Luciano Huck que abre as portas.


Portal Axezeiro.com: Quais são as novidade para o carnaval de 2010?

Mario Ornelas: Esse ano foi o primeiro que não tocamos aqui em função do afastamento de Reynaldo. Temos juntamente com o projeto de fazer os ensaios aqui, voltar com mais força a marca porque para muita gente a banda terminou, então esse projeto de disco novo com eles dois cantando é 100% para Salvador e daí voltarmos a puxar o nosso bloco Gula. 

Portal Axezeiro.com: Quais são as bandas de axé dessa nova geração que vocês admiram?

Mario Ornelas:
Psirico, Banda Eva, Jauperi, não tem um específico cada um está vindo com o seu talento.

Mano Moreno: Timbalada, Afrodisíaco, Ivete Sangalo eu pulava na corda e Parangolé que me surpreendeu e que muita gente não acreditava e está arrebentando.


Portal Axezeiro.com: Deixem uma mensagem para o público que acompanha a banda?

Mano Moreno: Espero que todo mundo esteja colado no Terra, estamos fazendo o melhor, tó colado com vocês e quero todo mundo na nossa também.

Mario Ornelas: Para os fãs que estavam pedindo a nossa volta, voltamos com tudo, divulgando o nosso trabalho nos programas com essa nova formação.

Márcio Bahia: A banda está retornando com toda a energia, contamos com a força de vocês.


 

Por Fabiana Oliva       
Foto: Uran Rodrigues

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